29 janeiro, 2007

Apocalypto

Direção: Mel Gibson. Com: Rudy Youngblood, Israel Contreras, Israel Rios, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead, Carlos Emilio Baez, Ramirez Amilcar, Iazua Larios.

É incrível como Mel Gibson realmente é fã de uma violência explícita. Nos dois últimos longas do diretor, ele faz questão de usá-la para chocar a platéia, e conferir uma certa realidade à trama. Neste Apocalypto não é diferente. Ele se utiliza de elementos violentos e primitivos para que a audiência suspire durante a exibição. Apocalypto se passa no século 16, e acompanha a trajetória de um jovem em fuga das mãos de caçadores, para tentar resgatar sua família que se encontra presa em um poço que pode inundar-se a qualquer momento caso venha uma chuva. A sinopse com a qual o filme foi vendido, que diz mostrar o declínio do império Maia de fato não acontece. Serve apenas de fundo para uma história de esperança de um jovem. No início do filme somos apresentados à moradores de uma aldeia que apesar dos costumes diferentes dos nossos, vivem, brincam e se divertem como qualquer pessoa, em qualquer época. Certa manhã essa aldeia é invadida e alguns moradores são mortos e outros seqüestrados. Esses últimos percorrem uma longa jornada sob o domínio dos saqueadores, sem ao menos saber o motivo de seu cárcere. Depois de quase uma hora de exibição, ai sim somos apresentados à uma cidade Maia que está passando por uma séria crise por sua fama de fraqueza e declínio. Por causa disso, esses presos são levados à essa cidade, para serem oferecidos em forma de sacrifício. Daí em diante, o filme segue uma longa jornada, que não explicarei aqui para não entregar e história. Ao longo de suas 2 horas e meia de projeção, vemos um filme com poucos diálogos, e muita ação. Apesar disso, Mel Gibson foi muito inteligente em no ato inicial do filme se aprofundar psicologicamente nos personagens, com quem criamos uma relação de confiança e que faz com que torçamos por eles em todos os momentos. Todo o calvário que o personagem sofre em busca de uma salvação para sua família se justifica na forma de dominação de uns povos em relação a outros. Mas Gibson peca feio por escolher todo esse martírio, como tema central de seu filme. Apesar da expectativa transmitida, a história se torna em certos momentos cansativa e monótona. Uma sensação de Dejá Vu pode pegar alguns durante o filme. Todo sofrimento e dor, centrado na figura de uma única pessoa, que não tem ninguém para lhe oferecer um apoio. Podendo se tornar um belíssimo filme histórico que ajudaria a esclarecer alguns mistérios dos antepassados, Apocalypto acaba caindo na velha história de sempre, que apesar de ser sempre bela, já está mais que batida no cinema. O amor e a coragem. A verdadeira beleza da história, que seria todo o processo de dominação pelo que os Maias passaram, acaba sendo esquecida e dando espaço para a jornada de um único herói. Outro ponto negativo, é a falta de referenciais históricos durante o longa, nos fazendo acreditar que aquela história poderia estar acontecendo em qualquer época da antiguidade.

Mas o filme também não é de todo mal. O fato de Gibson ter desenterrado o idioma Maia para seu filme repassa uma realidade eficiente. A Maquiagem mais que caprichada também ajuda a nos ambientar nessa época primitiva, de grande selvageria por meio dos grupos dominantes. O aprofundamento psicológico dos personagens, do qual tinha falado antes, também é de grande importância para a trama. É interessante presenciar como uma civilização com hábitos e costumes tão diferentes dos nossos pode ser tão parecida sentimentalmente, dando importância aos mesmos valores que damos. O fato é que Mel Gibson é sim um diretor competente, com uma visão mais avançada dos que muitos diretores modernos de Hollywood. Sempre escolhendo projetos desafiadores e que irão com certeza gerar certa polêmica. Andando sempre na contramão do que Hollywood gosta, Mel Gibson consegue atrair público e critica para todos seus projetos, por mais ousados que seja. Apocalypto é um bom filme, com uma temática excelente, um roteiro eficiente e uma direção espetacular. O grande problema do filme não é a direção em si, mas sim os caminhos pelos quais foi guiado.

Avaliação:

Crítica por Leonardo Pereira

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